Terminei em Dezembro de 2016 o meu contrato de Estágio PEPAC na área da Saúde. Sinto-me ambivalente quanto a este período novo que se avizinha – feliz e grata por ter tido esta oportunidade (tão rara nos dias que correm para uma jovem da minha idade!); sinto-me orgulhosa por saber que dei tudo o que podia dar de mim, mas cada vez mais ansiosa e a temer o futuro. Um futuro, que nesta fase da minha vida deveria ser sobretudo pautado por esperança e motivação é cada vez mais pautado por insegurança, instabilidade e preocupação.

Acontece que entrei numa fase nova da minha vida – não por estar a pensar aumentar a família, ou comprar uma casa ou mesmo um carro… todos os que estão na minha situação sabem que isso seria uma utopia – mas sim porque sou da terra de ninguém desde Dezembro de 2016. Se, desde que terminei o meu curso, as únicas ofertas existentes, para pessoas com as minhas qualificações e na área de atividade que exerço, eram as de estágio profissional financiado pelo IEFP ou PEPAC ou PEPAL, agora que já não estou elegível para nenhum destes estágios, porque fiz um estágio PEPAC e não fui integrada na entidade onde estagiei, restam-me as escassas ofertas em que necessito de 3, ou nalguns casos, 5 anos de experiência profissional… que ainda não tenho. Tudo isto depois de ter trabalhado de forma não remunerada durante 2 anos para a entidade responsável pelo meu estágio PEPAC, entre estágio académico e estágio de acesso à Ordem Profissional. Foram quase 3 anos a trabalhar num local, com colegas e uma população que adorei e a fazer o que realmente gosto. Terminei o contrato e as necessidades da entidade mantêm-se ou aumentam, mas nunca há hipótese de contratação. A única hipótese é um curso cujas propinas custam 5000 euros e em que eventualmente poderia ser integrada na Função Pública. Demonstrei o meu valor com empenho e trabalho de qualidade durante quase 3 anos, mas tenho que pagar para ter sequer uma hipótese de contratação.

Ironicamente, o slogan da entidade responsável pela gestão do PEPAC (o INA) é “Valorização das Pessoas”, eu pergunto: o que entendem por valorização? utilizar e descartar quando passa o prazo? a que pessoas se referem? Certamente não será a mim que se referem, e penso que falo pelos meus colegas também, pois acho que nenhum de nós se sente valorizado…

– Testemunho de uma recente desempregada, ex-estagiária PEPAC

― Testemunho de uma recente desempregada, ex-estagiária PEPAC