Tenho 30 anos e sou licenciada em Gestão. Infelizmente ainda não tinha tido oportunidade de exercer a minha profissão até surgir a oportunidade de poder estagiar na Administração Central através do PEPAC. Abdiquei de um trabalho, onde já estava efetiva, para ter a oportunidade de estagiar no IEFP como Técnica Superior de Emprego na área de Gestão, mesmo sabendo que o estágio teria apenas a duração de 12 meses e sem renovação de contrato.

Desempenhei as minhas funções com muito rigor, dei sempre tudo o que podia dar de mim, com muito gosto, mesmo sem direito a férias, subsídio de natal e de férias, aceitando assim toda esta precariedade. Sempre acreditei que no fim, nós estagiários, teríamos uma oportunidade para sermos integrados de alguma forma, uma vez que a nossa colaboração é uma necessidade permanente nos serviços.

A experiência adquirida foi enriquecedora! Adorei a oportunidade, porém infelizmente não é uma experiência que poderá ser útil nas empresas privadas. Muito provavelmente terei que voltar a procurar trabalho precário fora da minha área de formação, pois infelizmente as entidades privadas procuram candidatos com experiência e, por vezes, até requerem a sua elegibilidade para a realização de estágios profissionais financiados pelo IEFP. Todavia, ao escolher o PEPAC abri mão de poder fazer um estágio numa entidade privada e não o poderei fazer mais, colocando em causa a minha empregabilidade.

O mais injusto é que para as empresas privadas poderem ter estagiários têm a obrigação de contratar pelo menos 1/3 dos estagiários e a função pública não. Somos mais de 1000 estagiários na 3.º Edição do PEPAC e no fim o que nos resta é o desemprego.

― Somos mais de 1000 estagiários na 3.º Edição do PEPAC e no fim o que nos resta é o desemprego