Sou licenciada em Administração Pública e, no último ano, tive a oportunidade de estagiar no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), no âmbito do Programa de Estágios Profissionais na Administração Pública Central (PEPAC). Os 12 meses já passaram , o que me causa algum desconforto por dois motivos, essencialmente: a inevitabilidade da situação de desemprego que se segue e, sobretudo, a certeza de que o ingresso na função pública, uma área para a qual me formei, será extremamente difícil, para não dizer impossível.

A realidade é esta! Mesmo tendo presente que a situação de desemprego é transversal aos setores público e privado, é desconfortante e extremamente desmotivante sentir que as minhas competências formativas e profissionais, estas últimas recentemente adquiridas e avaliadas, não terão futuramente qualquer utilidade..

É importante mudar e essa consciência é cada vez maior. Posso dizer, por experiência própria e conhecimento de causa, que o serviço no qual estive integrada nos últimos 12 meses carece de pessoas jovens qualificadas para conseguir viabilizar todas as políticas ativas de emprego, uma vez que o IEFP “é o serviço público de emprego nacional. Este organismo tem por missão promover a criação e a qualidade do emprego e combater o desemprego”.  Desta forma, este serviço público deveria ser o primeiro a dar o exemplo, ficando com pelo menos 1/3 dos estagiários, tal como acontece nos demais estágios financiados pelo próprio organismo.

Porque razão o setor privado tem esta obrigação e a Administração Pública não?

 

― PEPAC no IEFP: o Estado deveria dar o exemplo contratando os estagiários