No meu Instituto Público somos várias dezenas de precários (falsos bolseiros) a assegurar necessidades permanentes. Esta realidade dura há mais de 10 anos, tendo atingindo um pico de 80 pessoas em 2015 (30% do total de trabalhadores da Instituição). Estamos dependentes da vontade do nosso superior hierárquico de termos as bolsas renovadas a cada ano, mas a larguíssima maioria dos bolseiros permanece na Instituição durante vários anos, o que demonstra a necessidade que a Instituição tem de nos manter.

Ao atingir o máximo de 6 anos de bolsa, o/a bolseiro/a passa por um novo concurso de bolsa a fim de continuar no seu local de trabalho. Temos trabalhos em tudo semelhantes aos funcionários do quadro, mas não recebemos 13º nem 14º mês, não descontamos para a segurança social pelo verdadeiro “salário”, e podemos ser despedidos em qualquer altura, sendo que não teremos direito a subsídio de desemprego (e em caso de doença prolongada recebemos menos de 400€ mensais). As sucessivas Direcções declaram-se impotentes perante o Ministério das Finanças para justificar a inexistência de alternativas à renovação de bolsa atrás de bolsa.

Temos todos chefias directas, trabalhamos a tempo inteiro, e suprimos necessidades permanentes (basta ver como o número de bolseiros se mantém elevado há vários anos). Em alguns casos representamos a Instituição junto de outros serviços do Estado, e também fora do País junto de Organizações congéneres.

Devemos obviamente ser incluídos no Relatório sobre a Precariedade que está a ser elaborado e cuja divulgação já foi atrasada, bem como no Programa para a contratação de precários que começará em Outubro próximo.

― Falsas bolsas são 30% dos trabalhadores de instituto público, cerca de 80 precários afectados