António Fachada, 37 anos de idade 10 anos de precariedade laboral pelo Ministério da Educação.

Foi no ano de 2007 que entrei pela primeira vez para um Agrupamento de Escolas dos Territórios Educativos de Intervenção Prioritária. Esmifraram-me em perguntas e acautelaram-me das difíceis condições sociais que iria encontrar na cara dos alunos e famílias com quem iria trabalhar, mas lá  me aceitaram para 11 meses de trabalho árduo de mediação de conflitos e de animação socioeducativa.

Sou licenciado em Animação Socioeducativa pela ESE de Coimbra e há 10 anos que trabalho, no contrato como docente, mas na verdade como técnico especializado. Neste 10 anos tive 10 contratos de trabalho e todos os anos lá estou eu agarrado ao computador e ligado a uma plataforma a partir do mês de Julho para concorrer a todas as Escolas e Agrupamentos que recebem Técnicos Especializados. Já houve anos com contratos de 6 meses e já houve anos com contratos mensais renovados automaticamente. São 10 anos em que todos os meses e sem exceção começo a pensar  como será o ano seguinte: – Será que abrem vaga para mim?

Felizmente tenho ficado sempre na mesma Escola! Felizmente porque gosto de lá estar e porque é um território que precisa de mim e que valoriza a minha atividade, mas a minha frustração é saber que, se precisam de mim e se gostam de mim e se eu gosto de lá estar porque razão tenho de todos os meses de Agosto dizer Adeus e entregar as chaves do meu gabinete e em setembro, outubro, novembro ou sabe se lá em que mês lá estou eu de novo para mais uma entrevista e para mais uns comprimidos ansiolíticos, que normalmente andam no bolso das minhas calças! Porque é que não consigo fazer uma projeção de vida e da vida da minha família para 3, 4, 5 ou 10 anos? Porque é que todos os anos no dia 1 de Setembro vou para o Centro de Emprego meter os papéis? Porque é que o Estado me paga uma caducidade de um contrato que sabe que tem ou que vai renovar nos meses seguintes? O Estado perde dinheiro cada ano que passa e paga centenas de caducidades de contratos que são renovados no mês seguinte ou nos meses seguintes, meses estes em que estamos a receber o subsidio de desemprego!

Camaradas, colegas precários e dirigentes políticos, eu António Fachada técnico especializado ao serviço do Ministério da Educação não gosto de ser precário, não gosto de andar todos os dias de coração na mão sem saber onde estarei daqui a uns meses! Os meus filhos, que foram adoptados há poucos meses precisam de estabilidade e eu preciso de lhes dar essa estabilidade! Obrigado!

― “Em 10 anos tive 10 contratos de trabalho” | Testemunho