«No IEFP continuamos a ser cerca de 2000 formadores a trabalhar em regime de falsos recibos verdes.

Ainda este ano se efetivou mais um concurso plurianual, do qual resultou a contratação (a recibos verdes) dos mesmos formadores que já trabalhavam nos centros e de outros tantos que eram necessários para suprir as necessidades.

Dizem eles que não temos horário fixo, nem horas certas. É verdade! Mas cumpro o horário que eles elaboram, dou formação nas instalações deles, sou subordinada às ordens de um Coordenador e de um Técnico de Formação e trabalho não me falta, felizmente!

A título de exemplo, deixo aqui o que foi o meu mês de setembro: Fiz um total de 139h (o que dá quase 35h/semana de trabalho). Vencimento base: 1977,30 IVA (que devolvo quase na totalidade ao Estado): 454,78€ IRS: 494,33€ Segurança Social: 248€ (fixos/mensais) Seguro de acidentes de trabalho (obrigatório): 25€ Vencimento líquido: 1209.97€ (Sem direito a horas de almoço porque as passo ao volante nas deslocações de um pólo de formação para outro. Sem direito a subsídio de refeição, a férias ou a qualquer outro subsídio).

É desgastante! Se me queixo a quem de direito (coordenador de formação)? Claro! Se sou ouvida e algo muda? Não! Já nem peço um contrato sem termo. Um contrato com direito a uma hora de almoço e descontos para a Segurança Social já era excelente para quem anda nisto há anos.

Conheço um colega num Centro de Formação que tem 21 anos de recibos verdes para o IEFP. É muito revoltante saber que é o próprio Estado que promove este tipo de ilegalidade…»

Testemunho originalmente publicado em precarios.net

― 2000 formadores do IEFP a falsos recibos verdes para o Estado