PREVPAP nas autarquias: relatos asseguram que a Câmara Municipal de Marco de Canaveses está a bloquear regularização

Chegou ao nosso conhecimento uma situação na Câmara Municipal de Marco de Canaveses que parece reflectir a falta de transparência que o processo de regularização de precários nas autarquias está a passar um pouco por todo o país. Trata-se, segundo os relatos que nos chegaram, de uma trabalhadora precária em funções há mais de 8 anos, em situação de prestação de serviços e sempre a suprir necessidades diárias permanentes, com cumprimento de horário completo de trabalho nas instalações da Câmara Municipal e com sujeição ao poder hierárquico. Relatos que nos asseguram que, neste período de tempo, esta funcionária viu o seu trabalho reconhecido diversas vezes pela autarquia, na medida em que foi acumulando funções cada vez mais exigentes e de maior responsabilidade na sua área de trabalho, sendo actualmente representante do município na Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco de Marco de Canaveses, que actua igualmente como Presidente da Comissão.

A actual presidente da Câmara Municipal de Marco de Canaveses, Cristina Vieira, eleita pelo partido que dirige o Governo que tem a responsabilidade da implementação do PREVPAP, foi precisamente confrontada com esta situação em reunião de Câmara realizada no passado dia 26 de Março. E reconheceu que a mesma funcionária, ligada à CPCJ, teve um vínculo à autarquia, a recibos verdes, ao longo destes 8 anos. Contudo, não obstante este reconhecimento, a mesma afirma depois que esta funcionária deixou de ser considerada uma necessidade permanente porque nos últimos meses a equipa ligada à CPCJ foi reforçada com mais dois trabalhadores por mobilidade interna. A acta da reunião de Câmara que está na origem deste relato revela ainda que o reforço da equipa teve problemas: um destes novos trabalhadores não tem formação de base na área social, uma das funcionárias saiu através de mobilidade e uma outra viu negado um pedido idêntico de mobilidade para uma área mais próxima do seu local de residência. Parece claro que, perante as dificuldades na equipa de trabalho da CPCJ, foi essencial o trabalho e o conhecimento acumulado ao longo de 8 anos por uma funcionária precária a quem a Presidente de Câmara recusa a regularização. Isto apesar de o anterior executivo camarário, através do seu Presidente de Câmara, ter remetido resposta ao inquérito realizado pela Direcção-Geral da Administração Local, identificando esta trabalhadora como uma das situações correspondentes a necessidades permanentes do município sem o adequado vínculo jurídico.

Os humores dos executivos não podem ser critério para cumprir a lei, independentemente do grau de autonomia de que goza o poder local. A Lei que regula a regularização de precários no Estado é muito clara acerca de quais as situações abrangidas.

Da nossa parte, continuaremos a procurar escrutinar e divulgar, como até aqui, a aplicação do PREVPAP nas autarquias. Tendo em conta a situação que aqui divulgamos a partir dos relatos e elementos que nos chegaram, remeteremos esta informação à Câmara Municipal de Marco de Canaveses, solicitando a sua confirmação e mais esclarecimentos. Remeteremos também à Assembleia Municipal, para que seja dado conhecimento a todos os grupos municipais.

PREVPAP nas autarquias: Câmara Municipal da Praia da Vitória diz que não tem precários

Em resposta à carta que enviámos a todas as Câmaras Municipais do país, questionando sobre a aplicação do PREVPAP em cada município, recebemos resposta da Câmara Municipal da Praia da Vitória (Terceira, Açores), em que nos comunica simplesmente que “não existem nesta Câmara Municipal trabalhadores precários”. Além desta lacónica afirmação, apenas nos diz que foi essa a resposta que remeteu à Direcção Geral das Autarquias Locais, no âmbito do inquérito realizado por esta entidade para levantamento das situações de precariedade. Não tendo sido transmitida mais nenhuma informação, fica claro que o município não pretende instituir o processo de regularização. Ao não prever, pelo menos, um período para a apresentação de requerimentos por trabalhadores eventualmente interessados e que considerem que a sua situação é irregular e precária, a autarquia está ostensivamente a passar ao lado de um programa de âmbito nacional e que permite corrigir o inaceitável recurso à precariedade.

Dada a generalização da precariedade nas autarquias, consideramos esta decisão preocupante e merecerá a nossa particular atenção. Enviaremos esta informação à Assembleia Municipal da Praia da Vitória, solicitando que seja remetida ao conjunto dos grupos municipais representados. Apelamos a todas as pessoas, em particular a quem possa estar a trabalhar em situação precária para a Câmara Municipal da Praia da Vitória, que partilhe informação. Como sempre afirmámos, só a mobilização e a solidariedade poderá garantir a concretização deste processo e que ninguém fica para trás.

PREVPAP nas autarquias: Câmara Municipal das Lajes das Flores diz que vai regularizar 6 situações de precariedade, mas pode estar a excluir mais de uma centena

Em resposta à carta que enviámos a todas as Câmaras Municipais do país, questionando sobre a aplicação do PREVPAP em cada município, recebemos resposta da Câmara Municipal das Lajes das Flores (Flores, Açores), em que nos comunica que irá regularizar 6 situações de precariedade. O município diz-nos que “iniciou o processo a 8 de Fevereiro de 2018”, referindo-se à reunião de Câmara (ver acta aqui) em que foi aprovada a decisão de avançar com a regularização e alterar o mapa de pessoal. A CMLF informa-nos ainda que as situações a regularizar correspondem a 3 técnicos superiores (nas áreas da Engenharia Civil, Saúde Ambiental e Solicitadoria), a 2 assistentes técnicos (nas áreas da Higiene e Segurança no Trabalho e Tesouraria) e 1 assistente operacional (na área da Limpeza de Edifícios). Estes postos de trabalho são actualmente satisfeitos com recurso a trabalhadores com contratos a prazo (4) e ao abrigo do Programa “PROSA” (2), um programa ocupacional de âmbito regional semelhante aos Contratos Emprego Inserção. Verificámos que foram já lançados concursos relativos a cinco destas situações (avisos aqui e aqui).

Apesar de não nos ter sido comunicado pelo município na sua resposta, verificámos que podem existir mais de uma centena de situações que não estão a ser consideradas pela Câmara Municipal. Em reunião realizada a 8 de Março (ver acta aqui), em que foi novamente discutida a aplicação do programa de regularização e a sua abrangência, o Presidente da Câmara admitiu que existem 25 situações de aparente falso outsourcing (através da empresa “Segmento Pacífico”) que não foram incluídas, mas refere a existência de um compromisso entre as forças políticas representadas no executivo para ainda “fazer concursos para regularizar” estas situações. O Presidente reconheceu também que “a Câmara tem perto de 80 pessoas em programas de inserção profissional”, mas afirma claramente que considera que “não tem meios para regularizar todos” –  ou seja, aparentemente, o executivo deixa de fora estas situações que reconhece como irregulares, apenas com o argumento financeiro e apesar de o programa prever cobertura para a regularização e estabelecer claramente que as restrições orçamentais não são obstáculo.

Tendo em conta as preocupantes dúvidas suscitadas pelas decisões tomadas pelo executivo, vamos solicitar esclarecimentos adicionais ao município e pedir que esta informação seja remetida ao conjunto dos deputados municipais. Continuaremos a lutar e a exigir a regularização de todas situações de precariedade em todas as autarquias. E apelamos a todas as pessoas, em particular a quem possa estar a trabalhar em situação precária para a Câmara Municipal das Lajes das Flores, para que se mantenham atentas e nos remetam informação relevante. Só a mobilização e a solidariedade poderá garantir a concretização deste processo e que ninguém fica para trás.

PREVPAP nas autarquias: Câmara Municipal de Angra do Heroísmo diz que não tem precários

Em resposta à carta que enviámos a todas as Câmaras Municipais do país, questionando sobre a aplicação do PREVPAP em cada município, recebemos resposta da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo (Terceira, Açores), em que nos comunica simplesmente que “nesta autarquia não há qualquer precário”. Não tendo sido transmitida mais nenhuma informação, percebemos que o município não pretende instituir o processo de regularização. Ao não prever, pelo menos, um período para a apresentação de requerimentos por trabalhadores eventualmente interessados e que considerem que a sua situação é irregular e precária, a autarquia está voluntariamente a passar ao lado de um programa de âmbito nacional e que permite corrigir o inaceitável recurso à precariedade para assegurar o trabalho em funções públicas.

Dada a generalização da precariedade nas autarquias, esta decisão é preocupante e merecerá a nossa particular atenção. Enviaremos esta informação à Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo, solicitando que seja remetida ao conjunto dos grupos municipais representados. Apelamos a todas as pessoas, em particular a quem possa estar a trabalhar em situação precária para a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, que partilhe informação. Como sempre afirmámos, só a mobilização e a solidariedade poderá garantir a concretização deste processo e que ninguém fica para trás.

PREVPAP nas autarquias: Câmara Municipal de Aveiro diz que inicialmente “não foram identificados precários”, mas acabou por encontrar uma situação

Em resposta à carta que enviámos a todas as Câmaras Municipais do país, questionando sobre a aplicação do PREVPAP em cada município, recebemos resposta da Câmara Municipal de Aveiro. Mais concretamente, a missiva que recebemos foi-nos remetida pela Assembleia Municipal de Aveiro, que nos comunica informação solicitada e remetida pela CMA (Divisão de Recursos Humanos). Na resposta, informam-nos que “não foram identificados, nem comunicados, quaisquer trabalhadores precários”, aquando do levantamento no âmbito do inquérito realizado pela Direcção Geral das Autarquias Locais. Diz-nos ainda que, mais tarde, acabou por encontrar um posto de trabalho por regularizar, que justifica com uma alteração: “a renovação por mais um ano de uma prestação de serviços”, após a saída de outros profissionais na área jurídica, cujas razões não nos comunica, que terão resultado num “ajustamento prático das funções desempenhadas no âmbito do contrato de prestação de serviços”. O processo para regularização deste posto de trabalho já está em curso e resultará na integração de um profissional na carreira de técnico superior.

Na resposta, a CMA informa-nos ainda que não pretende abrir um período para a apresentação de requerimentos por trabalhadores eventualmente interessados, nem constituir comissões de avaliação, que, a existirem, poderiam aferir a existência de situações a regularizar. Lamentamos, em particular num município com a dimensão de Aveiro, que a autarquia prescinda dos instrumentos de transparência que são proporcionados pelo programa. Ainda para mais, quando foi a própria Câmara a corrigir a sua sinalização inicial, demonstrando que se justifica a instituição de um processo rigoroso e transparente. Aliás, a realidade no país demonstra que a precariedade é um dado transversal nas autarquias – caso a Câmara Municipal de Aveiro fosse uma excepção, como diz ser, isso seria certamente notícia há muito tempo.

Dado que consideramos esta situação pouco clara, enviaremos esta informação à Assembleia Municipal de Aveiro, solicitando que seja remetida ao conjunto dos grupos municipais representados. Apelamos a todas as pessoas, em particular a quem possa estar a trabalhar em situação precária para a Câmara Municipal de Aveiro, que partilhe informação. Como sempre afirmámos, só a mobilização e a solidariedade poderá garantir a concretização deste processo e que ninguém fica para trás.